Medidas preventivas contra o coronavírus

Após confirmação do primeiro caso no país e de outros nove suspeitos, o infectologista e coordenador da CCIH da Santa Casa de Piracicaba, Hamilton Bonilha, alerta para mudança de protocolo



Ainda sem exame específico ou vacina para conter uma epidemia do coronavírus, o infectologista e coordenador da CCIH (Comissão de Controle de Infecção Hospitalar) da Santa Casa de Piracicaba, Hamilton Bonilha de Moraes alerta para medidas de prevenção e mudanças de protocolo para evitar que o vírus se alastre. Segundo ele, elevou o nível de atenção para alerta de perigo iminente à presença do vírus no país. O Brasil tem nove casos suspeitos de coronavírus em seis estados. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (29), pelo Ministério da Saúde, durante coletiva em Brasília. Os dados são referentes ao período de 18 a 29 de janeiro e os casos suspeitos foram registrados em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Ceará.

"O coronavírus é originário de Wuhan (China), local onde foi registrado o primeiro caso. Esse conjunto de agentes virais ataca o sistema respiratório e reúne desde agentes infecciosos (que causam os sintomas de resfriado) até os com manifestações mais graves, como os causadores da Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave)”, explica. Entre as hipóteses causadoras do vírus, estaria ligado à ingestão de frutos do mar ou de outros animais como o morcego, por exemplo, muito comum naquela região. 

“É preciso entrar em alerta, mas não em pânico. Nesses casos, assim como ocorre quando há a presença do H1N1, reforçamos o protocolo de prevenção nas unidades de atendimento. Pessoas que chegaram da China, mesmo que não apresentem nenhum sintoma, precisam entrar em quarentena, usar máscaras e manter as mãos sempre limpas para que não haja a possibilidade de contaminar outras pessoas”, alerta Hamilton.

O coronavírus pode se manter em período de incubação por até 14 dias antes do início dos sintomas, no entanto, como explica o infectologista, a doença já é transmissível neste período de incubação. “Por isso da extrema importância em usar máscaras, luvas e de não ficar muito próximo às pessoas até que se passe essas duas semanas”.

De acordo com o infectologista, o coronavírus pertence a uma ampla família de vírus, que acometem praticamente todas as espécies, de répteis a mamíferos. De acordo com as investigações ainda em andamento, o novo coronavírus, matou pelo menos 100 pessoas até o momento. 

Hamilton explica que os sintomas vão desde um resfriado, tosse e febre ao risco de pneumonia e insuficiência respiratória. Idosos e crianças são os mais propensos a contraírem a doença. 

Para se chegar à constatação de que uma pessoa contraiu o coronavírus, e como não há um exame específico, deve ser feito um painel de vírus que pode ser usado para descartar outras doenças e assim diagnosticar por meio da exclusão. “Então, até que se encontre um diagnóstico preciso, e que se descubra a vacina - assim como foi com a descoberta a do H1N1 -, o protocolo emergencial deve ser o de prevenção”, reforça.

(SCP/Diretor Técnico: Ruy Nogueira Costa Filho- CRM 39.044).